quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

escuridao
som estridente de alguem batendo e arranhando a porta
grito de mulher
som de isqueiro, uma vela é acesa. rosto de mulher em panico com candeeiro na mao

João, acorde. Acorde, João.

Ela diz esbaforida.
Um corpo se move na cama sob um cobertor, um homem estende o braço

João, acorde. Ela grita, estica a mão para toca-lo

Mas ele se vira violento para ela, encarando-a sem dizer nada

Voce ouviu? Voce não ouviu? Tem algo ou alguém la fora.

Ele a encara, servero, mas nao diz nada. olha-a impaciente e fixamente, mas nao faz nenhum movimento

Ela corre pra janela, tenta olhar pelas frestas, sempre apoiando-se na vela, sombras horriveis sao projetadas nas paredes. 

Ela se aproxima da porta. 

O homem volta a deitar, impaciente. Olha fixamente o teto

Voce não vai fazer nada, vai ficar aí parado, olhando pro teto. 

Ouve-se uma batida na janela, forte. Ela apavorada. O homem parado, olhando pro teto.
A janela treme, ameaça estourar. Ela corre e tenta apoiar as costas na janela. 

João, me ajude. 

Ele se levanta, senta-se impaciente na cama com braços cruzados. 

A mulher grita. Grita, as batidas intensas. Ela grita.

João se levanta, se aproxima apanha a vela. Sempre ignorando a presença da mulher. Com um cigarro acende um cigarro e fuma.

Voce vai ficar aí parado, seu desgraçado? inútil, inutil, inutil.

Ele da um tapa na cara dela. E tudo fica em silêncio. 
Ela recua para a porta, e fica de cabeça baixa, o cabelo cobrindo a cara

Por que você não cala a sua boca, sua vaca? 
Você não cansa de repetir isso toda a noite? Eu já entrei! A casa agora.
Voce está morta, morta.


Ela entao ergue a cabeça e começa a rir histericamente, histericamente olhando pra ela. E desaparece.



0 comentários:

Postar um comentário