som estridente de alguem batendo e arranhando a porta
grito de mulher
som de isqueiro, uma vela é acesa. rosto de mulher em panico com candeeiro na mao
João, acorde. Acorde, João.
Ela diz esbaforida.
Um corpo se move na cama sob um cobertor, um homem estende o braço
João, acorde. Ela grita, estica a mão para toca-lo
Mas ele se vira violento para ela, encarando-a sem dizer nada
Voce ouviu? Voce não ouviu? Tem algo ou alguém la fora.
Ele a encara, servero, mas nao diz nada. olha-a impaciente e fixamente, mas nao faz nenhum movimento
Ela corre pra janela, tenta olhar pelas frestas, sempre apoiando-se na vela, sombras horriveis sao projetadas nas paredes.
Ela se aproxima da porta.
O homem volta a deitar, impaciente. Olha fixamente o teto
Voce não vai fazer nada, vai ficar aí parado, olhando pro teto.
Ouve-se uma batida na janela, forte. Ela apavorada. O homem parado, olhando pro teto.
A janela treme, ameaça estourar. Ela corre e tenta apoiar as costas na janela.
João, me ajude.
Ele se levanta, senta-se impaciente na cama com braços cruzados.
A mulher grita. Grita, as batidas intensas. Ela grita.
João se levanta, se aproxima apanha a vela. Sempre ignorando a presença da mulher. Com um cigarro acende um cigarro e fuma.
Voce vai ficar aí parado, seu desgraçado? inútil, inutil, inutil.
Ele da um tapa na cara dela. E tudo fica em silêncio.
Ela recua para a porta, e fica de cabeça baixa, o cabelo cobrindo a cara
Por que você não cala a sua boca, sua vaca?
Você não cansa de repetir isso toda a noite? Eu já entrei! A casa agora.
Voce está morta, morta.
Ela entao ergue a cabeça e começa a rir histericamente, histericamente olhando pra ela. E desaparece.



















